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Fraude em sistema do governo reforça crise ética no Maranhão

(Foto: Divulgação)

Um inquérito da Polícia Civil do Maranhão confirma a existência de fraude no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do Governo do Estado, envolvendo a criação de um usuário falso em nome de Marcus Barbosa Brandão, irmão do governador Carlos Brandão (PSB). A investigação, registrada sob o número 0869180-43.2025.8.10.0001, reforça parte das denúncias feitas ontem (23) por parlamentares estaduais durante coletiva na Assembleia Legislativa, que classificaram o episódio como um dos mais graves da política maranhense dos últimos anos.

O documento, conduzido pelo Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO/SEIC), apura o crime de inserção de dados falsos em sistema de informações (art. 313-A do Código Penal). Foram indiciados Webston Carlos Inojosa Neves, Gilberto Pereira Martins e Carlos Augusto Silva, todos servidores públicos ligados à área de tecnologia da informação e infraestrutura.

Segundo o relatório da Superintendência de Informática da SINFRA, há fortes indícios de que uma terceira pessoa criou um “usuário externo” no SEI com o nome social “Marcus Brandão”, vinculado ao e-mail vigasengenharia@gmail.com, para acessar o processo nº 2024.530101.05519, relacionado à empresa Vigas Engenharia Ltda., responsável por contratos de obras no município de Colinas (MA).

O processo, no entanto, foi cancelado no mesmo dia da abertura, e nenhum documento chegou a ser anexado. Mesmo assim, o caso gerou grande repercussão porque o nome do irmão do governador apareceu no cadastro irregular. A própria SINFRA reconheceu, em parecer técnico, que o acesso foi criado de forma irregular e sem documentação comprobatória, violando os protocolos de segurança do sistema.

Durante a coletiva, os deputados Rodrigo Lago, Márcio Jerry, Othelino Neto, Carlos Lula, Júlio Mendonça e Leandro Bello denunciaram o que chamaram de “colapso ético e moral” dentro do governo, apontando uso político da estrutura estatal e supostas ações de espionagem e intimidação. “O que se vê é um Estado dominado por interesses familiares e práticas incompatíveis com a legalidade”, declarou o deputado Rodrigo Lago.

O grupo de parlamentares cobrou transparência e responsabilização, citando ainda possíveis interferências do Executivo em órgãos como o Tribunal de Contas do Estado (TCE). “Há indícios de manipulação de dados, perseguição de servidores e uso indevido de sistemas públicos”, afirmou Márcio Jerry.

De acordo com o inquérito, a vítima formal é o Estado do Maranhão, e o documento foi protocolado no dia 30 de julho de 2025 na 2ª Central das Garantias da Comarca da Ilha de São Luís. O delegado responsável, Bruno Figueiredo Aguiar, classificou o caso como “inserção de dados falsos com possível motivação política” e determinou a coleta de dados técnicos junto às operadoras de internet para rastrear os acessos.

Até o momento, o inquérito não aponta participação direta de Marcus Brandão na fraude, mas confirma o uso indevido do nome e a vulnerabilidade dos sistemas do Estado.

O caso soma-se às recentes crises políticas que atingem o governo, em meio a denúncias de escutas ilegais e disputas internas. Parlamentares prometem acompanhar o desfecho do inquérito e afirmam que irão reagir a qualquer tentativa de intimidação ou uso do aparato estatal contra opositores.

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