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Criança encontrada em Bacabal não sofreu violência sexual, apontam exames; veja a cronologia do caso

(Foto: Divulgação)

O governador do Maranhão, Carlos Brandão, informou na manhã desta terça-feira (13) que exames médicos descartaram a ocorrência de violência sexual contra o menino Anderson Kauan, de 8 anos. A criança havia desaparecido em Bacabal junto com os irmãos Ágatha Isabelle, de 5 anos, e Allan Michael, de 4, e foi localizada dias depois por carroceiros na zona rural do município.

Anderson Kauan foi encontrado no dia 7 de janeiro, em uma estrada vicinal, a cerca de 100 metros do rio Mearim. Ele estava debilitado, desorientado e sem roupas, o que gerou grande comoção e levantou suspeitas sobre possíveis agressões. Após ser resgatado, o menino foi encaminhado ao Hospital Geral de Bacabal, onde passou por exames clínicos e periciais que confirmaram a ausência de abuso sexual. Desde então, ele permanece internado, recebendo acompanhamento médico e psicológico.

No domingo (11), uma equipe multidisciplinar do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) chegou a Bacabal para reforçar as investigações. O grupo é formado por peritos, psicólogo e assistente social, responsáveis por realizar perícias psicológicas e sociais, além de ouvir familiares das crianças envolvidas no caso.

A equipe do IPCA também ficará encarregada da escuta especializada de Anderson Kauan, procedimento que seguirá rigorosamente os protocolos da Lei da Escuta Protegida (Lei nº 13.431/2017). A medida foi determinada pela promotora de Justiça da Infância e Juventude, Michele Dias, e tem como objetivo evitar a revitimização da criança, respeitando seu estado emocional e suas particularidades.

“É preciso compreender que se trata de uma criança que passou por um trauma significativo. Ele foi encontrado fragilizado, desorientado e é uma criança atípica. Por isso, a escuta deve seguir todos os cuidados previstos na Lei da Escuta Protegida, para garantir segurança e respeito”, explicou a promotora.

Buscas por irmãos continuam

Enquanto Anderson Kauan se recupera, as buscas por Ágatha Isabelle e Allan Michael continuam. As duas crianças estão desaparecidas há mais de dez dias. Elas sumiram na tarde de domingo, 4 de janeiro, após saírem para brincar em uma área de mata no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal.

Atualmente, cerca de 600 pessoas participam da força-tarefa, que reúne Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Exército, Batalhão Ambiental e voluntários da região. As equipes atuam 24 horas por dia em uma área considerada de difícil acesso, com mata fechada, lagoas e terrenos alagadiços.

O comandante da Polícia Militar do Maranhão reafirmou que as buscas não serão interrompidas até que as crianças sejam encontradas. Apesar de peças de roupas infantis terem sido localizadas em diferentes pontos da mata ao longo dos dias, a família informou que os itens não pertencem a Ágatha e Allan, mantendo o mistério sobre o paradeiro dos irmãos.

Linha do tempo do caso

  • 5 de janeiro: Três crianças desaparecem enquanto brincavam em uma área de mata no Quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal.
  • 7 de janeiro: Anderson Kauan, de 8 anos, é encontrado por produtores rurais, debilitado e desorientado.
  • 8 de janeiro: Roupas são encontradas na mata e o prefeito de Bacabal oferece recompensa de R$ 20 mil por informações.
  • 9 de janeiro: Voluntários se unem às forças de segurança para reforçar as buscas.
  • 10 de janeiro: Exército e Batalhão Ambiental passam a integrar a operação.
  • 11 de janeiro: Novas peças de roupas infantis são localizadas.
  • 12 de janeiro: Família descarta que as roupas sejam das crianças desaparecidas; PM garante continuidade das buscas.

As autoridades esperam que a escuta especializada de Anderson Kauan possa trazer informações importantes que ajudem a esclarecer o caso e apontar pistas sobre o paradeiro de Ágatha Isabelle e Allan Michael.

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