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Lula e Trump se encontram e indicam início de acordo

(Foto: Divulgação)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (26) que as tarifas aplicadas sobre o Brasil podem ser revistas “muito rapidamente”, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro aconteceu à margem da Cúpula de Líderes da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático).

Trump, que no sábado (25) havia condicionado uma possível redução das tarifas a “circunstâncias adequadas”, evitou detalhar quais seriam os critérios para o avanço das negociações. “Vamos discutir por um tempo e provavelmente chegaremos a uma conclusão muito rapidamente. Acho que poderemos chegar a bons acordos e fortalecer nossa relação”, disse o republicano antes da conversa privada com Lula.

Questionado sobre se o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) influenciaria as negociações, Trump desconversou: “Gosto de Bolsonaro, é um bom sujeito. Ficamos incomodados com as penas contra ele”, afirmou.

Lula, por sua vez, pediu a retirada da imprensa antes do início da reunião a portas fechadas. “O Brasil tem interesse em manter uma relação extraordinária com os Estados Unidos, como temos há mais de 200 anos. Não há razão para desavenças entre nós”, declarou.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que participou do encontro, Trump demonstrou disposição em suspender parte das tarifas impostas ao Brasil. “O presidente americano afirmou que dará instruções à sua equipe para iniciar imediatamente um processo de negociação bilateral”, afirmou o chanceler, acrescentando que uma nova reunião entre os representantes dos dois governos deve ocorrer ainda neste domingo.

Participaram do encontro, ao lado de Lula, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o embaixador Audo Faleiro. Pelo lado americano, estavam presentes o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante de Comércio, Jamieson Greer.

Lula classificou o diálogo de cerca de 45 minutos como “franco e construtivo”. Em publicação no X (antigo Twitter), o presidente afirmou que o encontro foi “ótimo” e que as equipes dos dois países iniciarão imediatamente conversas para “avançar na busca de soluções para tarifas e sanções contra autoridades brasileiras”.

De acordo com o governo brasileiro, o tema das penas contra Bolsonaro não entrou oficialmente na pauta. O ministro Márcio Elias Rosa destacou que Lula ressaltou a boa relação diplomática e comercial entre os países e lembrou que o Brasil não possui superávit com os EUA, argumento contrário à manutenção das tarifas.

A reunião marca uma nova etapa de aproximação entre os dois líderes, que já haviam conversado brevemente durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, e realizado uma ligação amistosa em outubro, quando Lula propôs o encontro na ASEAN.

Durante a cúpula, Lula também deve se reunir com os primeiros-ministros de Singapura, Lawrence Wong, e do Vietnã, Pham Minh Chinh. À noite, participa de um jantar oferecido pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, ao lado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.

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